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Comunicação e Marketing em Escritórios de Advocacia

28/03/2018

Ao se considerar a essência do termo "publicidade" associado a um sentido de comercialização, entende-se que não existem apenas limitações regidas pela OAB referente a essa prática, mas sim total restrição - visto que o Código de Ética não permite a captação de clientela ou mercantilização da profissão (artigo 39). Contudo, dentro das medidas impostas pela Ordem dos Advogados do Brasil outras abordagens de Comunicação e de Marketing podem ser utilizadas, dentre elas diferentes estratégias de Relações Públicas e de Marketing de Conteúdo que estão relacionadas a ações de caráter meramente informativo.

Não obstante, as limitações submetidas pela OAB dentro dos demais instrumentos presentes no Composto de Marketing não apresentam uma condição de desvantagem ou de exiguidade, mas sim um feitio que desafia a criatividade dos profissionais da Comunicação e do Marketing que trabalham na área. Em outras palavras, após o aprendizado das medidas impostas pela Ordem não há grandes dificuldades para se elaborar um planejamento que seja preciso e que de igual maneira cumpra com todos os quesitos do Código. O desafio criativo está incorporado ao cuidado para que o processo não se torne repetitivo e isso exige inovação e originalidade a cada abordagem comunicacional.

O Marketing na Advocacia ou também conhecido como "Marketing Jurídico" é relativamente novo e ainda está se desenvolvendo quando comparado ao Marketing voltado a outros setores, ao menos no Brasil. Logo, os limites impostos pela OAB estabelecem um certo padrão e ordem a essa área que ainda é considerada principiante - está aprendendo como o comportamento do mercado e ações de Comunicação e de Visibilidade também podem estar associados ao lucro. De um ponto de vista mais positivo, as normas do Código previnem a prática de atividades invasivas e hostis que possam vir a prejudicar a credibilidade do mercado jurídico como um todo. Contudo, ao se levantar questões mais específicas voltadas ao Marketing Digital - que é um conceito novo para diferentes âmbitos do mercado - não apenas para os escritórios de Advocacia, percebe-se que ainda existem pontos que podem vir a serem aprimorados no futuro, principalmente no que tange à compreensão do meio como ferramenta primordial ao relacionamento e aproximação para com os clientes e não apenas de captação.

O Marketing Jurídico demanda um gerenciamento complexo e bastante preciso, pois entende-se que os resultados, em geral, não ocorrem de maneira imediata - visto que o foco dos esforços estão voltados ao relacionamento por meio de informações, a captação acaba sendo uma consequência dos diferentes atos. No entanto, já se considerando esse preceito é que se tem o reconhecimento de que atualmente o Marketing na Advocacia está fortemente associado ao sucesso dos escritórios, gerando boa reputação e resultados a partir de diferentes ferramentas que estão agregadas além da marca e da construção de uma boa imagem.

Referente às melhores abordagens que estão relacionadas à consequência da conquista de novos clientes, pode-se considerar que o "boca a boca" ainda é muito eficiente, pois a indicação também é uma certificação frente aos serviços que são realizados pelos advogados nos escritórios. Contudo, cabe mencionar que o "boca a boca" pode ser a soma e o resultado de todos os esforços comunicacionais produzidos, visto que hoje esse método pode contar com a fomentação e com o apoio de diferentes ferramentas de Comunicação capazes de agregar valor aos relacionamentos com os clientes, com os prospects e com os influenciadores de diferentes áreas, perfis, necessidade e interesses.

Tem-se como abordagem relacionada a esse contexto o Marketing Digital e Viral. A internet é um canal de relacionamento bastante eficiente para gerar "buzz marketing", ou o "boca a boca", dentro e até fora da própria web. Além da característica de compartilhamento e de interação dos interessados para com o escritório, no que tange aos requisitos do Código, o Marketing Digital intensifica ainda mais o desenvolvimento do próprio Marketing de Conteúdo. Nesse novo espaço, os criativos podem inovar ainda mais utilizando apenas a informação, com a criação de vídeos/storytelling, artes e tendo as redes como os próprios veículos de propagação de artigos.

Ainda imerso ao contexto digital se tem o Inbound Marketing, ferramenta que possui a finalidade de aproximar os prospects às atividades de uma empresa ou de um escritório por meio da informação. De maneira mais específica, essa estratégia apresenta nos sites um espaço destinado a conteúdos relativos aos interesses de clientes, de prospects ou de demais pessoas cativadas pelos materiais desenvolvidos e pelos temas abordados. O interessado nos conteúdos permite a aproximação e o desenvolvimento de um relacionamento, disponibilizando informações para que tenha acesso a materiais informativos exclusivos e personalizados a partir de seus gostos e de suas necessidades. Dessa maneira, pode-se entender que na Advocacia essa prática não condiz com a captação de clientela, pois quando utilizado em sua essência, é uma ferramenta de caráter meramente informativo. Logo, reforça-se que o contato deve ser feito sempre por meio da informação, do contrário, perde-se o seu valor e ultrapassa os limites regidos pela OAB, podendo se tornar, quando utilizado por má-fé ou desconhecimento, um instrumento altamente invasivo e inapropriado.

Os artigos permanecem sendo ótimos instrumentos de Comunicação para os escritórios, pois estão relacionados à apresentação das ideias dos próprios advogados e podem receber alcances tanto no meio físico, como no digital. Não diferente, os eventos continuam auxiliando no desenvolvimento e manutenção de networking, que no mercado jurídico possui muita relevância. E, enfim, os rankings se mantém atribuídos ao reforço e ao reconhecimento da credibilidade dos advogados e dos escritórios.

Por outro lado, pode-se observar como novas metodologias de Marketing e de Visibilidade no cenário da Advocacia, a utilização do Marketing Social, com a preservação e até defesa de diferentes causas que englobam o direito de todos. E, por fim, tem-se o Endomarketing, capaz de motivar e prover à união de toda a equipe, potencializando o "boca a boca" gerado pelos próprios colaboradores.

Fonte: Terra

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