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O marketing jurídico e o medo da inovação

09/02/2017

Inovar, criar novas teses, desbravar novos caminhos é sempre desafiador. E, não raro, em meio a nossas rotinas, preferimos a chamada “zona de conforto”. Com tantas demandas para resolver no dia a dia, por que eu traria uma nova preocupação? Por que ser criativo quando o que eu faço vem funcionando? A resposta pode ser dada com o “case” da Kodak.

George Eastman, o fundador da empresa, foi criativo e ousado no fim do século XVIII, quando, tendo inventado o filme fotográfico (em rolo), iniciou a expansão da Kodak pelo globo. Criou a câmera portátil, centros de distribuição em vários continentes e transformou a empresa em um gigante, dominando 60% do mercado fotográfico e tendo 145 mil funcionários em seu auge. Em 2012, a Kodak entrou com pedido de concordata em uma corte de Nova York. Mas a queda se iniciou bem antes.

Em 1975, dentro de suas dependências, seus engenheiros criaram a câmera digital.

Dominante em seu mercado de filme, a Kodak decidiu não apostar no novo, engavetando o projeto. Convicta, à época, de que sua “musculatura” em seu mercado tradicional a sustentaria, a empresa veria, ao longo dos anos, concorrentes como Nikon, Canon e Sony ganharem um espaço que ela nunca mais passaria a ter de volta.

O medo da inovação e a zona de conforto cobram um preço alto. Um preço que ninguém está disposto a pagar. Mas o que isso tem a ver com marketing jurídico? Tudo.

O mercado jurídico no Brasil é altamente competitivo. As faculdades, nos últimos 20 anos, formaram mais advogados do que em toda a história pregressa. E, ainda que existam mais áreas e desdobramentos do Direito, a concorrência está estabelecida.

Para crescer, é preciso se destacar entre todos, captar e fidelizar clientes, gerando a sustentabilidade da atividade. Mas acontece que, infelizmente, isto não é mais possível apenas com um trabalho bem feito. O serviço passou a ser essencial e a busca dos clientes é pelos diferenciais do escritório sobre este serviço bem prestado.

Diante deste cenário e com o advento da internet, impeliu-se sobre as bancas a necessidade de comunicar-se melhor, estar presente e perto do seu público-alvo, investir em tecnologia, em melhoria do atendimento, em design e em estrutura. O marketing jurídico nunca foi tão necessário. Conectar os escritórios com o seu público e fazer chegar a ele suas expertises enfrenta desafios que o mundo moderno impôs. E você não resolve problemas novos com ideias antigas.

Um dos medos da inovação na advocacia, principalmente em bancas tradicionais, é infringir alguma regra da Ordem. A advocacia não é uma atividade de fim e não deve ser mercantilizada. As ações de marketing precisam seguir o Código de Ética da OAB. Mas isto, de nenhuma maneira, deve impedir que os escritórios saiam do modelo tradicional e avancem para a profissionalização da administração, do atendimento e de sua comunicação. Porque não haverá mais espaço para a zona de conforto.

Deste modo, o importante é contar com a expertise de profissionais de marketing que sejam especialistas em marketing jurídico. É preciso que estes conheçam e entendam as limitações impostas pelo código de ética e as características da prática jurídica. Não se trata, sobremaneira, de pensar o marketing do escritório como o de qualquer negócio.

Dentro do que determina a OAB e alinhadas com os anseios, perfil e características tanto do escritório como do seu público-alvo, é possível planejar estratégias de marketing que impulsionem o crescimento das bancas. Lançando mão dos meios, plataformas e tecnologias de vanguarda, a comunicação desenvolvida a partir deste planejamento trará visibilidade, conexão e engajamento ao escritório, sem ferir o estatuto da Ordem.

A questão, portanto, não reside mais em fazer ou não e, sim, em como fazer. Pois ficar parado enquanto os outros avançam pode custar caro demais.

Por Dennis Albuquerque Farias, Publicitário e sócio da Lex Marketing

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